Combatentes: tratados abaixo de cão

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Combatentes: tratados abaixo de cão

Mensagem por FCosta em Dom 07 Dez 2008, 7:43 pm

Fonte: http://www.dodouro.com/noticia.asp?idEdicao=96&id=3142&idSeccao=912&Action=noticia
Texto da autoria de Barroso da Fonte
Notícias do Douro, edição de 11 de Novembro de 2005
Pobre país e miserável governo que despreza aqueles que mais por ele fizeram! Entre 1961 e 1974 passaram pelas diferentes parcelas do império que foi Português: Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Timor, cerca de um milhão de soldados, que não fugiram à Pátria, não venderam o bornal e a arma, não emigraram para a Europa, nem queimaram a Bandeira Portuguesa nas ruas de Paris.
Quem fugiu ao dever cívico, por medo e por cobardia, tratou de governar a sua vidinha, explorando emigrantes, obtendo cursos, auferindo meios económicos, maldizendo o País em que nasceram, à base de conspirações sistemáticas. Quem não teve medo, quem foi sério, quem foi patriota, quem era filho de pobre e não teve quem custeasse a sua fuga e a permanência no estrangeiro, limitou-se a cumprir os deveres de cidadania para com o orgulho de ser Português. Preparou-se e foi para a guerra, porque a Pátria respeita-se, defende-se, perpetua-se, através do exemplo e dos feitos gloriosos que se herdaram desde que Afonso Henriques, nos deu esse nobre exemplo nos Campos de S. Mamede, na tarde de 24 de Junho de 1128.
Os ricos e filhos dos influentes dessa década de sessenta não foram mobilizados, porque os pais eram Directores Gerais (como o da Saúde), ocupavam relevantes cargos, como por exemplo nas gasolineiras, outros trabalhavam de perto com Salazar, Caetano ou Américo Tomás. Se quiserem exemplos desses que alegaram ter o pé raso é muito fácil indicá-los, porque ocupam hoje os mais altos cargos nos diversos órgãos de soberania.
Um milhão de jovens indefesos foram mobilizados e limitaram-se a cumprir o seu dever cívico. Não puderam tirar os seus cursos na altura própria, não puderam arranjar emprego estável, não conseguiram constituir família, em paz e sossego, como os filhos da burguesia, que desde 1974, vivem agarrados aos "canudos professorais", jurídicos ou políticos, atacando aqueles que foram mais sérios e coerentes do que eles; quem teve de garantir-lhes segurança; quem foi burro de carga para que aqueles pudessem usufruir das suas ambições ideológicas, profissionais e burguesas.
Com o golpe militar de Abril, não para "salvar o povo" mas para salvar aqueles que o fizeram, contra os milicianos (seus pares), operou-se aquilo que já se esperava e que acabaria por dar-se, mesmo que não protagonizado por aqueles que o fizeram. E teria sido feito em melhores condições, porque não teríamos a vergonhosa descolonização que tivemos, não teria a Bandeira Portuguesa passado pelo vergonhoso derrube e tudo estaria hoje, mais clarificado, mais justo, com mais harmonia, mais dignidade e mais esperança nos dias de amanhã.
Trinta anos depois do desprezo a que a geração do pé raso votou os Combatentes, houve alguns políticos que fizeram muito pouco, em relação ao que mereciam. Mas essa insignificância simbolizou uma espécie de reconhecimento tardio dos muitos direitos que os Combatentes tinham (e têm) como é o caso da contagem do tempo do serviço prestado na tropa para efeitos militares. Eles deixaram tudo para servir o Estado. O Estado (e os Sindicatos) obrigam as entidades patronais a pagar os descontos dos seus trabalhadores. Porque não hão-de os Sindicatos, os revolucionários, o Estado, reconhecer esses direitos aos Combatentes? Foi apenas esse o espírito daquilo que o Governo de Guterres, com o apoio do CDS/PP consignou na Lei 9/2002, regulamentada no governo de Durão Barroso. Foi necessário revê-la para abranger todos os Combatentes que tinham combatido na Índia; as profissões liberais; os emigrantes, os prisioneiros. Gastou-se muito dinheiro, fez-se um trabalho insano, enfrentou-se forte oposição. Mas foi possível, já em 2004, dar inicio ao espírito da lei. Centenas de milhares de Combatentes já, em Setembro passado, receberam a "esmola" de 152 euros. Outros - à medida em que se aposentassem - iam recebê-la. Só que o actual governo, onde abundam os tais burgueses da geração do pé raso, irritado com "a esmola" atribuída, em Setembro de cada ano, aos Combatentes, resolveu tirá-la a 400 mil, como o Correio de Manhã, de 25 de Outubro titulou em toda a 1ª página. Será essa "esmola" que empobrece o país? Mas então porque não extingue o governo a Lei 20/97, de 19 de Junho, também chamada Lei dos Desertores que o PS fez aprovar e que permite hoje, a todos aqueles que emigraram ou fugiram do país, a terem direito a que esse tempo lhes conte para efeitos de aposentação, bastando entregar um requerimento abonado por duas testemunhas, mesmo que fictícias? Fixe o leitor o que diz o artigo 1º dessa tenebrosa e iníqua Lei: O tempo de prisão e o de detenção efectivamente sofrido, assim como de clandestinidade, em consequência de actividades políticas desenvolvidas contra o regime derrubado em 25 de Abril de 1974 pode ser considerado, a requerimento dos interessados, equivalente a entrada de contribuições". Esta Lei está em vigor desde 1997. Alguns tubarões deste país estão a beneficiar dela. Incrivelmente existem, por aí, algumas associações que vão a Fátima, enchem autocarros pagos pelas autarquias, barricam os espaços em frente aos edifícios ocupados pelos titulares dos órgãos de soberania, Aliás barricaram, muitas vezes, essas entradas, quando o PSD e o CDS estavam no governo. Na altura estava a fazer-se a inventariação e a preparar tudo quanto estava por fazer. Essas associações hostis a esse governo barafustaram, sistematicamente, o que só baralhou o papel notável da maioria das restantes. Como o actual governo é da cor dos principais cabecilhas dessas Associações (felizmente poucas), nunca mais abriram a boca e até já se contentam com a simples contagem do tempo de serviço. Ora os Combatentes não querem mais do que isso: eles que serviram, efectivamente, o patrão Estado, apenas reclamam essa contagem para efeito de contribuições entradas na Previdência. Ou a devolução a quem já as pagou. Tirar aquilo que foi dado, mesmo sendo pouco, a quem merecia muito mais - e, sobretudo, a quem merece respeito, dignidade e gratidão - é um roubo do tamanho da cretinice de quem se prepara para extorquir esse legítimo e legitimado direito social. - Barroso da Fonte
Transcrição efectuada por Francisco Costa

FCosta
Convidado


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