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Re: Interessante

Mensagem por jose de oliveira e rocha em Qui 28 Ago 2008, 6:28 pm

se os Oficiais ou sargentos tinham dificuldades ase imporem, entao nos cabos ou soldados,?esta Guerrilha tinha um Nome. Era Economica e Comerçial; nos eramos os Gendarmes das Grandes POTENçias.

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Mensagem por Jorge Gonçalves em Qui 22 Maio 2008, 4:00 pm

Camaradas e amigos
Recebi o que abaixo descrevo por mail.
Achei o relato interessante e até pode ser que algum de vós conheça e possa confirmar a veracidade de tudo isto. Estas situações de mail's deixam-me sempre algumas duvidas. A ser verdade é uma história de vida fantástica e por isso quero partilhar convosco.

"A minha guerra

Não desertei! Saí da tropa de cabeça erguida

Fui testemunha da incompetência dos altos comandos na condução da
guerra em Moçambique. Optei por uma actuação independente e acabei por
desobedecer

O antigo furriel Francisco Raposo recordou nestas páginas a partida do
Batalhão de Caçadores 1937 para Moçambique, em finais de 27 Outubro de
1967 : 'O comandante da minha companhia era o capitão Verdasca – mas,
nas vésperas do embarque, desapareceu: correu na altura que ele
desertou para fugir à guerra' – disse Francisco Raposo. Não é verdade!
Em 1965, já tinha requerido a minha demissão do Quadro Permanente.
Informaram-me então que a demissão só seria possível ao fim de oito
anos de oficial. Não tive outro remédio que não fosse esperar – para
sair de cabeça erguida. Perfiz os oito anos necessários e deixaram-me
sair. Quando o Batalhão de Caçadores 1937 seguiu para Moçambique, já
eu tinha sido demitido do Quadro Permanente.

Entrei para a Escola do Exército em 1955. Fui aspirante a oficial,
entre 1958 e 1959, na Escola Prática de Infantaria de Mafra e no
Batalhão de Caçadores Pára-quedistas de Tancos. Cumpri uma comissão em
Cabo Verde, entre 1959 e 1961, como alferes. Frequentei cursos de
guerra subversiva no Centro de Operações Especiais de Lamego.

Já como capitão, cumpri uma segunda comissão – em Moçambique, de 1964
a 1965. Fui colocado no Batalhão de Caçadores de Porto Amélia,
constituído por tropa nativa, no distrito de Cabo Delgado. Estava na
região, em Setembro de 1964, quando ali eclodiu a guerra – com o
ataque dos guerrilheiros ao posto administrativo de Chai.

Na madrugada de 25 de Setembro de 1964, fui acordado e chamado ao
gabinete do comandante do Batalhão de Caçadores de Porto Amélia, para
– após um breve, incompleto e pouco profissional relato do ataque
efectuado por guerrilheiros nessa mesma madrugada – receber a seguinte
ordem: 'Reuna metade da sua companhia, junte-lhe os serviços
necessários e siga o mais rapidamente para o Posto do Chai'. E
acrescentou: 'O nosso general deu ordens para resolver a situação em
15 dias' – o que consistia em aprisionar e eliminar os atacantes,
pacificar a região e impedir novos ataques.

Tal ordem reflectia perfeitamente o nível do chefe e do militar que
comandava o Batalhão de Caçadores de Porto Amélia na época em que a
Frelimo iniciou as operações no Planalto dos Macondes. General e
tenente-coronel, ao imporem limitação de meios, davam provas de
incompetência e revelavam incapacidade para o comando.

Quase uma centena de militares – eu, dois alferes milicianos, oito
sargentos e oito cabos, todos europeus, e os restantes cabos e
soldados militares nativos de várias etnias – iniciaram então uma
viagem de cerca de 200 quilómetros através do Planalto dos Macondes.

Em Macomia, numa rápida reunião com o administrador, que convocou a
secção da PSP que fora atacada na noite anterior (um subchefe e nove
praças armados com G3) e alguns cipaios (polícias indígenas recrutados
entre ex-soldados do exército) recolhi as primeiras informações.
Recordo a colaboração do competentíssimo, decidido e corajoso cabo de
cipaios do posto para o ataque à povoação onde, provavelmente,
estariam abrigados os atacantes do posto.

As frágeis portas das palhotas da povoação foram arrombadas, com total
surpresa dos seus habitantes e, principalmente, dos guerrilheiros, que
ainda tentaram fugir pelos fundos. Mas foram todos feitos prisioneiros
sem que um único tiro tivesse sido disparado. Os autores do ataque,
que iniciaram as acções de guerrilha contra a administração portuguesa
ao mesmo tempo que marcava o segundo aniversário da fundação da
Frelimo, estavam entre os 39 prisioneiros: um chefe com dois anos de
treino de guerrilha na China, um outro que fora graduado no exército
do Tanganica e meia dúzia de guerrilheiros com pouca instrução e
nenhum valor. Os restantes eram moradores que tinham ajudado os
guerrilheiros e que deviam ser interrogados. Armas nem uma, pois eram
enterradas fora das povoações.

Lamentavelmente, o comando nada perguntou aos prisioneiros, não foi ao
local fazer a avaliação dos acontecimentos e não aproveitou o ataque
para dele tirar as conclusões necessárias. Foi uma lição totalmente
desperdiçada, até porque se tratava, indiscutivelmente, da última
oportunidade para dialogar com o incipiente movimento guerrilheiro,
que podia facilmente ter evitado a catástrofe que se lhe seguiu em
perdas humanas, materiais, morais e políticas.

As verdadeiras causas desta incompetência estavam em Lisboa – onde a
ditadura mandava e desmandava, nomeava e demitia, promovia e
condecorava segundo critérios condenáveis. Os altos comandos não
tinham autoridade real para propor e impor soluções adequadas.

Apercebi-me de todas essas circunstâncias, imaginei as consequências
que daí advinham, optei por uma actuação independente e acabei por
desobedecer aos comandos.

Fui punido com cinco dias de prisão. Recorri e o processo arrastou-se.
Colocaram-me no quartel-general, em Lourenço Marques.

Pedi a demissão do Quadro Permanente. Mas, como ainda não tinha
cumprido oito anos de serviço como oficial, não aceitaram o meu
pedido.

Nomearam-me, em Outubro de 1965, comandante da Companhia de Caçadores
73 formada por nativos – que mal terminou a recruta em Boane, Lourenço
Marques, recebeu a missão de ocupar e defender a área do Posto
Administrativo de Olivença, no Norte do Niassa, perto dos rios
Messinge e Rovuma, com menos de mil habitantes. A unidade foi
reforçada com uma Companhia de Engenharia e foram construídos um
quartel e uma pista de aterragem que permitia a utilização dos velhos
aviões DC3, o único meio de transporte e de abastecimento durante os
seis meses da época das chuvas.

Até Maio de 1966, graças à inteligência de um jovem major do
Estado-Maior, que era governador do distrito do Niassa, pude actuar
abertamente junto das populações, convocar os seus chefes e o próprio
régulo. Dialogava com eles e dava--lhes instruções e ordens. Era
importante conquistar a simpatia, o respeito, a amizade e, como
consequência, a colaboração das populações. Também era importante
manter a segurança na fronteira – cerca de 30 quilómetros em linha
recta – com o Rovuma. E melhor ainda seria realizar um golpe de mão na
Tanzânia para destruir apoios da guerrilha.

Contei com a colaboração do filho do régulo que, após uma 'visita
particular', regressara com um levantamento total do acampamento de
guerrilheiros do lado de lá da fronteira, o que nos permitiu preparar
a operação. Segui com 80 militares. Ao fim de mais de dez horas de
marcha, metade das quais sob violentíssima tempestade, voltámos para
trás.

A chuva diluviana, que tudo e todos encharcou, e a confusão que se
apossara dos guias, cada vez mais desorientados e amedrontados, iam
certamente prejudicar a acção de combate e dificultar a retirada com
feridos e mortos. Foi com grande sentimento de frustração que ordenei
a retirada.

De todo o sacrifício feito só se aproveitou a propaganda, pois nessa
mesma noite a BBC de Londres, na sua emissão em inglês, informou que
'as tropas portuguesas de Moçambique tinham invadido a Tanzânia, a
Norte de Olivença'. O curioso de tudo isto reside no facto de os
comandos militares jamais me terem interrogado sobre a invasão do
território tanzaniano.

De regresso à Metrópole, fui colocado no Quartel-General da Região
Militar de Lisboa. Entretanto, foi anulada a informação negativa que
tinha originado a pena de prisão. Segui para o Regimento de Infantaria
2, em Abrantes, integrado no Batalhão de Caçadores 1937. Completei
oito anos de oficial. Aceitaram, então, o pedido de demissão. Quando o
batalhão embarcou para Moçambique, já eu tinha sido abatido do Quadro
Permanente. Abandonei a vida militar a meu pedido.

ABANDONOU A CARREIRA MILITAR E TORNOU-SE EMPRESÁRIO NO BRASIL

José Verdasca nasceu a 16 de Junho de 1936, em Gondemaria, nos
arredores de Vila Nova de Ourém. Quis seguir a carreira militar.
Entrou para a Escola do Exército (futura Academia Militar) em 1955.
Quando, finalmente, foi aceite o pedido de demissão do Quadro
Permanente das Forças Armadas, José Verdasca partiu para o Brasil – e
instalou-se em São Paulo, onde vive ainda hoje. "Trabalhei nos ramos
da pecuária, indústria, comércio de madeiras e construção civil" –
recorda. Tornou-se empresário. É piloto-aviador desde 1968. Terminou a
licenciatura e fez a pós-graduação em administração de empresas na
Universidade Mackenzie. Do casamento nasceram-lhe um filho e uma filha
que lhe deram três netas. Nos últimos 20 anos, José Verdasca
dedicou-se à literatura: publicando vários livros e deu conferências.
É presidente, desde 2005, da Ordem Nacional de Escritores."

Fiquem bem

JG

Jorge Gonçalves

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