Se a juventude soubesse......

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Se a juventude soubesse......

Mensagem por PEREIRA GARCEZ em Seg 28 Fev 2011, 2:05 pm

-----Nunca será demais lembrar aos actuais jovens portugueses que os pais e os avós deles que pelo país deram o melhor que tinham de si, andam a ser covardemente enxovalhados há mais de 30 anos, em comparação com quem, e por quem, nem para lhes limpar as botas serviria.
E deixar bem claro que com governantes destes, não há nenhum país no mundo que mereça uma gota de generosidade da sua juventude.
Como facilmente se pode constatar desde a antiga literatura de banda desenhada até ao actual cinema americano, o combatente dos Estados Unidos é sempre o maior; o antagonista é o bombo da festa. Terminada a guerra, a América pode não perder tempo a estabelecer relações amigáveis com o Japão, com a Coreia do Norte ou com o Vietname; mas que um borra-botas qualquer, que passou o conflito a coçar o rabo pelas esquinas, se atreva a denegrir o seu militar em favor do antigo inimigo, isso só acontece em países moribundos, sem um pingo de dignidade na defesa dos mais elementares valores nacionais.
Isto não é só bonito: Se existem forças armas, é porque a eventualidade da sua utilização está sempre no horizonte... Manter a chama acesa, é uma prova de inteligência.
Ao antigo combatente pouco importa se a guerra que travou foi ou não justa. Isso não é da sua conta. O que lhe interessa é que quaisquer que tenham sido as razões que o levaram a combater, até podia ter dado a vida pelo país. E isso é que importa; é o que em certos países deveria merecer toda atenção de quem comanda os destinos dum povo. Castrar uma geração de combatentes do seu orgulho de terem defendido a pátria é uma traição nacional; é muito pior que a fuga dum contingente militar para as hostes inimigas.
Não estou a falar de dinheiro; e a eventualidade da guerra é vida dos militares profissionais. Mas para quem esbanja milhões com delinquentes, drogados e com subsídios a quem nunca mexeu uma palha pelo país, não era nada do outro mundo atribuir a todos os outros antigos combatentes uma regalia simbólica, que pelo menos lhes mostrasse alguma gratidão.
Um pouco de respeito, pelo menos, já seria o suficiente... mas os antigos combatentes portugueses nem essa atenção têm merecido. Tudo quanto o povo português sabe, e com ele a actual geração de jovens, é que o combatente do Ultramar foi um assassino de mulheres e crianças, que saiu de África com o rabo entre as pernas sem honra nem glória.
Se calhar, os actuais jovens militares portugueses, nem pensam nisto; mas deviam saber que os pais deles, que lutaram no Ultramar, andam a ser achincalhados há quase trinta anos, em comparação com quem, e por quem, na realidade, nem para lhes engraxar as botas tinha qualquer préstimo; que andam agora por aí em "missões de paz", a defender as costas de quem não lhes diz nada, de outros que há duas dúzias de anos retractavam grotescamente os antecessores nas paredes das antigas cidades portuguesas de África.
Por agora está tudo bem, "somos todos velhos amigos"... Mas se um dia destes o caldo se entornar - como parece querer entrar em ebulição a qualquer momento - não faltarão por aí "analistas e comentadores" nas rádios e nas televisões a enaltecer os catorze anos de guerra no Ultramar como o maior feito dos portugueses desde o tempo das descobertas.


Tavares

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